Quem tem a Cauda Longa é você

11 de Janeiro de 2008

Calma! Não estou xingando ninguém, o assunto aqui é outro. Período passado, durante uma aula de Marketing Communications, o professor perguntou se alguém sabia o que significava “Long Tail”. Fiquei impressionada ao constatar que, em uma turma não só de Mestrado, mas em Marketing, absolutamente ninguém conhecia o termo (à minha excessão). Desde então, coloquei na cabeça a idéia de escrever sobre o tema, que sempre foi adiada devido à correria de fim de ano, mas o ano já acabou e aqui estou.

A explicação do que seria a tal Cauda Longa é relativamente simples. No mundo globalizado, onde grande parte da população tem acesso à internet, os nichos de mercado ganham força e a disponibilidade de um número cada vez maior de itens permite que os gostos da minoria sejam atendidos quase que individualmente. Em outras palavras, a era dos blockbusters, bestsellers e afins está se fragmentando.

O criador do termo, Chris Anderson, baseou-se em uma análise de estatísticas e usa um gráfico muito claro para mostrar o efeito Long Tail:
longraphic
Pode-se entender a parte vermelha como um número menor de produtos sendo consumido por um número grande de pessoas, e a parte amarela como a Long Tail, que é composta por uma pequena quantidade de consumidores (que não é necessariamente pequena, mas sim pequena em relação aos produtos consumidos pela massa), mas com uma diversidade enorme de opções.

Isso é facilmente visto nos dias de hoje, principalmente no meio digital. Os grandalhões da indústria dão lugar aos inúmeros blogs (inclusive este), redes sociais, sites como Youtube, Amazon, eBay, Google, iTunes e uma infinidade de outros que poderia citar aqui. Eles estão na Long Tail e são produtos gerados por uma necessidade específica que o mundo moderno trouxe com ele - e que esperamos que se desenvolva cada vez mais.

Agora, mais do que nunca, a nossa geração tem um poder de escolha exorbitante, capaz de de mudar os caminhos do pensamento e das atitudes humanas. Pode parecer filosófico, mas é muito real e atual. As pessoas não mais procuram pelas mesmas coisas e conhecer os hits de sucesso ou assistir aos programas X e Y não é mais sinal de integração. O ‘comum’ ao qual éramos condicionados está sendo substituído pela variedade cultural, pela opção pessoal.

Como disse o Merigo, do Brain9, “Em um mundo real onde a seleção natural do mercado faz com que produtos populares tirem espaço na prateleira de produtos pouco vendidos, um mundo onde a indústria do entretenimento define o que você deve ver e ouvir, observar o desenvolvimento da Long Tail é confortante”.

E saber que a SUA escolha faz diferença e que é VOCÊ quem vai decidir o que faz sucesso dentro do seu nicho de mercado nos faz ver muito mais além.

Agência pequena? Sim!

20 de Julho de 2007

Fechando a sexta-feira na mesma linha dessa semana diferenciada, resolvi postar aqui o resumo da tradução (não tão literal) de um texto muito interessante, que encontrei na AdAge. O artigo trata de um assunto bastante comum para os publicitários, especialmente os que estão começando: as agências pequenas. Como descobri recentemente que uma boa parte dos blogs que frequento é gerenciada por estudantes de publicidade, achei ainda mais pertinente colocá-lo aqui.

Como todos sabemos, é muito fácil se sentir desestimulado com tantas coisas negativas que podem acontecer no mercado publicitário. Nessas horas, Bart Cleveland acha legal fazer uma lista das razões pelas quais se quer trabalhar em uma agência pequena. Aí vão elas:

1. Liberdade: Trabalhar em uma agência de pequeno porte é quase sempre usufruir de mais liberdade do que alguém com anos de experiência em uma agência grande. É uma questão de lógica: com menos gente pra fazer o trabalho, você fica encarregado de mais responsabilidades, tendo consequentemente mais liberdade para fazer as coisas. Claro, você muitas vezes precisa realizar tarefas toscas, mas esse é um preço justo pela liberdade adquirida. Além do mais, pode ser terapêutico lamber selos e achar sua própria correspondência(!).

2. Família: Seguindo a lógica de poucos funcionários, é muito mais fácil formar uma “família” dentro de uma agência pequena. É bem provável que isso um dia vá mudar, a agência vá crescer e você não vá conhecer todos que trabalham com você. A agência poderá estar mais forte e melhores oportunidades poderão surgir, mas todos vão lembrar da época em que eram poucos como “os velhos tempos”.

3. Sonhos: Os que fazem parte de uma agência pequena costumam querer criar uma reputação que será invejada por todos. As chances estão contra eles, é fato, mas isso só faz a vontade crescer. Essa vontade é um grande estímulo, que não os deixa desistir quando um cliente não é conquistado, por exemplo. Concretizar um sonho é uma tarefa difícil, porém nada pode os impedir de tentar.

4. Esperança: Há muitos como você por aí afora, que sonham em fazer seu melhor trabalho, enquanto a agência só quer se livrar das coisas. A esperança segue a mesma linha dos sonhos. Por mais que você saiba que há muitas agências ruins no mercado, a esperança não morre, pois há sempre os que te encorajam e parabenizam por tentar impor suas idéias e princípios.

5. Coragem: Quando se trabalha em uma agência pequena, tem-se mais liberdade. Tendo mais liberdade, é possível ousar mais. E ousando é que se consegue grandes resultados. Construir um modelo de agência é difícil, mas fazer com que as pessoas que trabalham nela estejam estimuladas e seguindo um mesmo objetivo é mais difícil ainda. É disso que Bart Cleveland fala quando cita algumas pessoas que ele admirava quando estava se formando, como Pat Fallon, Jeff Gooby e Mike Hughes. Finalizando, ele afirma que “não é o cão dentro da luta, mas a luta dentro do cão o que mais importa”.

Hoje eu vou fazer um post diferente, mas dentro do mesmo tema. Um tema que, na verdade, nem era a idéia original, mas que acabou sendo o foco deste blog: o marketing de guerrilha. O conceito dessa “nova” modalidade do marketing é bastante amplo. Diz respeito a ações realizadas através de métodos não-convencionais de divulgação, a fim de promover uma marca (e/ou produto), que chamem a atenção da imprensa e do público-alvo da mesma. Normalmente, é uma técnica de baixo custo que, inicialmente, era utilizada por empresas que não possuem tantos recusros. Mas isto era inicialmente.

No mundo moderno, um americano vê cerca de 1,5 mil propagandas diariamente. A tão famosa ‘poluição visual’ diminuiu a eficiência das peças publicitárias, fazendo surgir uma necessidade por formas alternativas de comunicação. Assim, mesmo as empresas mais tradicinais e de grande porte estão fazendo uso de ações diferenciadas para se destacar, chamar a atenção do consumidor e fixar sua marca na mente dele. Esta missão fica, cada vez mais frequentemente, por conta do nosso querido marketing de guerrilha.

Por ser uma técnica que preza pela criatividade, ousadia e inteligência - ao invés das cifra$ - ele requer um planejamento mais bem elaborado. As iniciativas devem ser muito bem pensadas (e repensadas) e executadas com bastante cautela, a fim de evitar imprevistos. O marketing de guerrilha lida diretamente com a imagem do cliente. Imagem esta que precisa ser passada de maneira positiva para poder conquistar a simpatia do consumidor e gerar, assim, o resultado desejado.

Acredito que não será necessário dar exemplos de campanhas bem sucedidas, pois este blog está repleto delas, mas gostaria de citar um caso em que “o tiro saiu pela culatra”. A Mattel, fabricante da boneca Barbie, achou que seria interessante pintar uma rua inteira de rosa para promover um novo modelo do brinquedo, mas não foi. Muito pelo contrário. Os moradores se irritaram com a idéia e julgaram que seu espaço foi invadido, gerando empatia por parte dos consumidores.

Por isso, é essencial que as ações de guerrilha sejam analisadas minunciosamente antes de sua execução. Uma falha pequena pode acarretar na (des)construção de uma imagem que não corresponde à realidade da empresa, e que poderia, muitas vezes, ter sido evitada com um bom planejamento.

* É isso. Espero que tenham gostado!